PARQUE URBANO DA PRAÇA DE ESPANHA

CONCURSO PÚBLICO DE CONCEÇÃO PARA A ELABORAÇÃO DO PROJETO DO PARQUE URBANO DA PRAÇA DE ESPANHA [2º PRÉMIO]. LISBOA
public competition for the praça de espanha urban park [2nd prize] . lisboa

 

 

 

 

A ÁGUA COMO REINVENÇÃO DA PAISAGEM URBANA
A gestão da Água, associada à condição topográfica Lisboa, foi determinante para a evolução da Paisagem da Cidade, estando na base da sua identidade cultural e arquitetónica.
Este processo foi modelando a estrutura urbana da Cidade, como resultado das  necessidades vitais de escoamento, armazenamento e abastecimento de água.
Com o crescimento da Cidade esta relação de grande proximidade e vitalidade com a Água, alterou-se radicalmente, sobretudo fruto do processo de expansão para os subúrbios que distanciou, por imposição pragmática, as lógicas de construção de Cidade da sua matriz topológica.
A Praça de Espanha tal como a conhecemos é o resultado deste processo: um espaço de conflito entre infraestrutura, lógica urbana e condição hidrológica.
O parque constitui uma oportunidade para resgatar relações suspensas neste território, a  partir de uma perspetiva cultural onde os processos ecológicos e as suas dinâmicas de variabilidade participam das novas lógicas urbanas, garantindo assim a inserção deste espaço no seu verdadeiro e mais amplo contexto.

O VALE COMO TOPOLOGIA DO PARQUE
A proposta parte da reinvenção do vale da ribeira que intecepta o espaço, ficcionando uma realidade preexistente adaptada às necessidades da cidade de Lisboa de hoje.
A topografia constitui o instrumento fundamental da narrativa do parque, dramatizando as concavidades alagáveis do parque, possíveis ainda de configurar nos espaços intersticiais entre a rede viária perimetral e o dorso do túnel do metropolitano.

CONEXÃO URBANA
O parque como elemento de interligação
A proposta assenta na definição de Praças e percursos que definem uma aproximação gradual à(s) ambiência(s) do Parque, estabelecendo assim a transição entre o contexto urbano e o parque.
As Praças de Palhavã e Columbano propostas constituem as entradas principais no  parque, mimetizando o atravessamento perdido que conectava o centro aos territórios limítrofes da Cidade. A partir das entradas principais no Parque, de sentido vincadamente urbano, um coreografia de percursos adaptados à topografia, oferecem atravessamentos lentos e sinuosos, descobrindo os lugares e ecologias do Parque.

LIMITE – TOPOGRÁFICO E VEGETAL
Um espaço interiorizado, mas visualmente aberto à envolvente
Uma óbvia implicação na configuração do Parque é o contexto urbano onde este se insere:
uma fronteira infraestrutural de intensa circulação rodoviária e de distribuição metropolitana que limita a relação entre o parque e a sua envolvente e afeta a qualidade do seu espaço interior.
Neste sentido O LIMITE é (re)construído e intensificado topograficamente e sublinhado pela distribuição da vegetaçao: uma orla de densidade variável, que afirma os limites do parque, sombreando os seus percursos e intensificando a descoberta das clareiras centrais.

O PARQUE COMO INFRAESTRUTURA DE ÁGUA
O parque como infraestrutura biológica e Infraestrutura artificial
A praça de Espanha posiciona-se no cruzamento entre a hemibacia do planalto de Lisboa, correspondente às Avenidas Novas, e o vale encaixado de Alcântara. Esta condição topográfica põe um enfoque claro no potencial de intervenção do parque como  infraestrutura de drenagem.
A proposta responde a esta questão através de duas estratégias complementares: criando uma infraestrutura biológica de bacias de retenção à superfície e, por outro, uma  infraestrutura subterrânea capaz de absorver a acumulação em períodos de precipitação repentina.
O parque constitui um lugar resiliente, capaz de absorver as dinâmicas naturais da água em contexto urbano, traduzindo-as em espaços de regulação hidrológica, inteligência biológica, apropriação lúdica e, em ultima análise, de conhecimento dos processos ecológicos.

OS LUGARES DO PARQUE
Espaços e equipamentos
O parque tem com a cidade uma relação dupla:
Se por um lado se pretende que funcione como elemento de continuidade interligando áreas desconexas, procurando-se nesse sentido um espaço claramente aberto e fluido;
Por outro, a aglomeração de trânsito na sua envolvente próxima motiva a criação de um espaço encerrado, com limites definidos, por forma a garantir um ambiente interiorizado e tranquilo.
Esta relação de abertura e encerramento, de acessibilidade e reserva, é definida pela alternância de operações que ora acentuam os limites do parque – ao longo das avenidas Calouste Gulbenkian e dos Combatentes -, ora assumem aberturas à cidade – como no  caso das praças Palhavã e Columbano, desenhadas a partir das malhas urbanas adjacentes; a Praça do Teatro da Comuna, a ligação aérea a ligar ao Teatro Aberto; a entrada voltado ao Bairro do Rêgo; a alameda arborizada que propõe uma relação mais fluída com a área do IPO e do novo edifício previsto na U.E..
Estes são também lugares que marcam pontos específicos da utilização do parque, ligados pelo percurso interior periférico, e onde se organizam pequenos espaços de restauração e comércio, mercados de rua, representações teatrais, zonas de repouso e leitura.

 

type Open Competition

location Lisboa, Portugal

project date 2017 (1st Stage), 2018 (2nd Stage)

client Câmara Municipal de Lisboa

area 4,24 ha

 

autores/authors BALDIOS Arquitectos Paisagistas + Ventura Trindade Arquitectos

BALDIOS arquitectos paisagistas Armando Neves Ferreira, Catarina Raposo, Joana Marques, Pedro Gusmão, Samuel Alcobia and Jenifer Rodrigues

Ventura Trindade Arquitectos João Maria Trindade and Francisco Pestana da Silva, Gabriele Catazano, Silvia Toninello

rendering Andrei Brinza

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